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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

As lojas fora do Vaticano não poderão mais vender as bênçãos papais

Uma carta de Mons. Krajewski explica que, a partir de janeiro de 2015, o "negócio" dos pergaminhos será gerido exclusivamente pela Esmoleria Apostólica. O dinheiro será destinado aos pobres

Por Redacao

ROMA, 08 de Setembro de 2014 (Zenit.org) - As dezenas e dezenas de lojas em todo do Vaticano não poderão mais vender os pergaminhos com as bênçãos papais. A decisão, tomada pessoalmente pelo Papa Francisco, foi anunciada em uma carta com a data do 12 de abril de 2014, assinada pelo Esmoler de Sua Santidade, Mons. Konrad Krajewski.

No texto, o prelado explicou que no próximo dia 31 de dezembro cessará peremptoriamente a Convenção entre o Departamento da Santa Sé utilizado para a concessão das bênçãos apostólicas com papel de pergaminho, e as lojas e livrarias contempladas no acordo.

Desde janeiro de 2015, portanto, não será mais possível solicitar fora do Vaticano o pergaminho para presentear por ocasiões de aniversários e casamentos. Um negócio que rendia muito dinheiro às lojas ao redor dos muros leoninos. Pago por 10 a 50 euros - diz o site do Vaticano Insider - eles deixavam para a Esmoleria apostólica (Instituição que se dedica à caridade do Papa) apenas 3 € por pergaminho com a assinatura e o carimbo. Com as novas disposições do Papa Francisco - de acordo com um processo já iniciado em 2010 pelo Papa Bento XVI - o dinheiro arrecadado pelo "negócio" dos pergaminhos irá, agora, diretamente para os pobres.

Mons. Krajewski lembra na carta que esta é precisamente a tarefa da Esmoleria apostólica: "praticar da caridade com os pobres em nome do Sumo Pontífice", de acordo com a vontade do Papa Leão XIII, que, ao há mais de um século atrás, havia dado ao Esmoler “a faculdade de conceder a Bênção Apostólica por meio de diplomas, de modo que o órgão encarregado da caridade tivesse os recursos necessários para praticá-la".

Assim, as próprias bênçãos voltarão a desempenhar a sua função original: fornecer os recursos necessários para esta caridade, ajudando principalmente as pessoas necessitadas que escrevem pedindo apoio financeiro. Tarefa que o mesmo Krajewski realiza indo muitas vezes pessoalmente para levar pequenas contribuições em dinheiro, de acordo com indicações do Papa.

Nos últimos anos, o Instituto tinha se ajudado das lojas, livrarias e instituições "para tornar acessível a um número crescente de peregrinos que vinham a Roma" a chance de obter a bênção. Com a difusão sempre mais ampla da Internet, nos últimos anos, no entanto, foi desenvolvido o site www.elemosineria.va, graças ao qual era possível acessar todas as informações necessárias para a obtenção dos diplomas também através do envio a todas as partes do mundo.

A carta do Esmoler diz também que no mês de Setembro passado, o Papa Francisco tinha estendido “a faculdade de conceder a benção papal em pergaminho” também aos vários núncios apostólicos espalhados nos países ao redor do mundo.

À luz destas informações, decidiu-se, portanto, não renovar a convenção de forma que “tal serviço – explica a carta – possa retornar, como originalmente, à responsabilidade deste departamento e ficar com a única finalidade caritativa pela qual nasceu".

Mons. Krajewski afirma também que tal decisão não vai afetar os empregos dos calígrafos que têm a tarefa de escrever concretamente as bênçãos. A Esmoleria, com 12 funcionários, conta com a colaboração externa de 17 especialistas que diariamente vão ao departamento para pegar ou devolver as bênçãos.


Entre os "outsiders" que continuarão a trabalhar para a Esmoleria – informa o Vatican Insider – estão os mosteiros de clausura, onde se preparam os manuscritos mais valiosos escritos inteiramente à mão. 

Quem rejeita o diálogo é uma pessoa corrupta, diz o sociólogo polonês Zygmunt Bauman

O rabino Skorka intervém no encontro internacional de Antuérpia promovido pela comunidade Santo Egídio juntamente com Zygmunt Bauman, Andrea Riccardi e outros membros do mundo político, religioso e cultural

Por Luca Marcolivio

ROMA, 08 de Setembro de 2014 (Zenit.org) - Líderes intelectuais, religiosos e políticos se reuniram hoje durante a jornada central do Encontro Internacional da Comunidade de Santo Egídio, que acontece até amanhã em Antuérpia com o tema “A paz é o futuro: religiões e culturas em diálogo cem anos depois da primeira Guerra Mundial.

Zygmunt Bauman: "Quem rejeita o diálogo é uma pessoa corrupta"

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman descreveu o diálogo como algo diferente de "uma série de monólogos em que os palestrantes tentam superar um ao outro": é, antes, a "arte mais importante que queremos aprender para manter a paz no planeta". Quem rejeita o diálogo é "uma pessoa corrupta".

Na "sociedade líquida" dominada pela virtualidade, principal objeto de estudos de Bauman, a internet pode se tornar "uma das formas que permite rejeitar tudo o que não se quer ver".

O diálogo, disse o sociólogo, é dividido em "três níveis", o primeiro dos quais é a "socialidade, graças ao qual aceitamos os outros ao nosso redor”, seguido pela "solidariedade, que é um processo de reconciliação para conseguir a unidade".

O diálogo mais eficaz, concluiu Bauman, é, no entanto, o informal, "aberto e baseado na cooperação", onde as idéias surgem e onde se está "disposto a viajar por uma estrada de mão dupla, tornando-se professor e aluno ao mesmo tempo”.

Rabino Abraham Skorka: A interpretação fanática das Escrituras é um "paganismo grosseiro"

Por sua parte Abraham Skorka, rabino de Buenos Aires, conhecido por sua amizade com o Papa Francisco, desde os tempos em que Bergoglio era arcebispo da capital da Argentina, condenou aqueles que “interpretam fanaticamente a Escritura, achando-se os únicos possuidores da compreensão correta da mesma e com o direito a submeter abominavelmente todos aqueles que não coincidem com os seus pontos de vista".

Estes, disse o rabino, "esvaziam o verdadeiro conteúdo de suas crenças, transformando-o  em paganismo grosseiro".

Segundo Skorka, "uma leitura atenta da Bíblia hebraica nos permite entender que o homem é um ser cheio de conflitos, com o nosso próximo e, a nível dos povos, uns contra os outros", no entanto, as Escrituras sempre se referem a "lutar contra as nossas paixões, a fim de resolver os nossos conflitos".

O rabino concluiu, portanto, recordando que a "misericórdia" e a "justiça" são traços comuns a todas as religiões, valores em torno dos quais podemos trabalhar para construir a paz.

Vian Dakheel: massacres perpetrados pelos milicianos da Isis

Seguiu-se o dramático depoimento do parlamentar iraquiano, Vian Dakheel, membro da comunidade Yazida, que também relatou violências contra as mulheres, crianças e idosos, dos terroristas islâmicos.

De acordo com Dakheel até agora conta-se umas 3 mil “pessoas mortas, assassinadas pela milícia do Isis ou esgotadas pela fome e sede durante a fuga para as montanhas do Sinjar", enquanto são 5 mil as "pessoas raptadas, centenas as meninas estupradas ou vendidas como escravas, como na cidade de Mosul, onde foram oferecidas a um preço de $ 150".

Na aldeia de Kojo, habitada por 2000 Yazidis, os moradores foram obrigados a "escolher entre a conversão ao islamismo e o massacre", enquanto um antigo santuário na aldeia de Jdal foi destruído por militantes do califado.

Na conclusão de seu discurso, o parlamentar iraquiano fez um apelo à comunidade internacional pedindo à Comissão para os Direitos Humanos e ao Conselho de Segurança da ONU começarem uma investigação sobre o massacre, que envolveu Yazidis.

Andrea Riccardi: "A paz é o nosso futuro?".

Em seu discurso, o fundador da Comunidade de Santo Egídio, Andrea Riccardi, reiterou que não pode haver "guerra e violência em nome de Deus" e, diante do cenário global atual, se perguntou: "A paz é o nosso futuro?".


A resposta está no longo caminho de paz, que começou em 1986, com o primeiro encontro inter-religioso em Assis, durante o qual São João Paulo II enfatizou que "a paz é um campo de trabalho aberto a todos, não só para especialistas, estudiosos e estrategistas". Precisamente por este motivo, concluiu Riccardi, a paz, embora pisada em muitas regiões do mundo "é um" grande ideal, que pode inspirar políticas e vidas pessoais". 

O Patriarca Aphrem II dá voz ao drama sírio

O chefe da Igreja sírio ortodoxa se pronuncia na liturgia ecumênica durante encontro internacional organizado pela Comunidade de Santo Egídio em Antuérpia

Por Redacao

ROMA, 08 de Setembro de 2014 (Zenit.org) - "Deus está presente no meio de nós, irmãos e irmãs, quando vemos a esperança nos olhos de uma criança forçada a deixar sua casa e sua cidade, Mosul, no Iraque, para um destino desconhecido. [...] Deus está presente no meio de nós, quando vemos um pai que perdeu a família inteira - pai, mãe, esposa e dois filhos - por causa dos bárbaros atos homicidas em Sadad, na Síria - e ainda é capaz de sorrir serenamente e se submeter alegremente a vontade de Deus, que ele sabe estar perto, na sua angústia": foi o que disse sua Santidade Mor Ignatius Aphrem II, Patriarca de Antioquia e de todo o Oriente e Chefe Supremo da Igreja sírio ortodoxa universal em sua homilia no culto ecumênico que abriu o encontro organizado pela Comunidade de Santo Egídio Peace is the future, Future, Religion and Cultures in Dialogue 100 Years after World War I, que acontece em Antuérpia de 7 a 9 de setembro.

O culto ecumênico, que foi realizado na antiga catedral da cidade, Onze-Lieve-Vrouwekathedraal, teve a participação de várias delegações das Igrejas orientais e das reformadas.

 Dom Johan Bonny, bispo de Antuérpia, em sua homilia, disse: "O nosso desejo é de dialogar uns com os outros em um clima de fraternidade e de reconciliação. Queremos também comunicar uma ideia para a nossa sociedade e para a comunidade mundial. Como religiosos, precisamos urgentemente de um mundo mais pacífico e estamos prontos para trabalhar para isso."

Recordando o aniversário de 100 anos desde a eclosão da Primeira Guerra Mundial, ele acrescentou: "Nestes dias celebramos devotamente todas as vítimas da Primeira Guerra Mundial. Mas não só eles. Estamos próximos de todas as vítimas da guerra e da violência dos nossos tempos, através de tantas linhas de frente espalhadas em todo o mundo."


No final da celebração todos os líderes das diversas comunidades cristãs foram para a praça e o Patriarca Mor Inácio Aphrem II foi saudado por muitos cidadãos do Oriente Médio refugiados na Bélgica, depois da guerra, preocupados com o destino da própria cidade e da própria terra.

sábado, 6 de setembro de 2014

Papa Francisco dedica a sua primeira foto no Twitter aos cristãos perseguidos no Iraque

VATICANO, 05 Set. 14 (ACI) .- O Papa Francisco lançou nesta sexta-feira a primeira foto através de sua conta do Twitter @Pontifex, dedicando-a aos cristãos perseguidos no Iraque e pedindo aos católicos do mundo que rezem com ele por estes irmãos que fogem da violência do Estado Islâmico (ISIS).

“Rezo diariamente por todos os que sofrem no Iraque. Rezai comigo”, pediu o Santo Padre, que constantemente faz estes apelos aos fiéis através de sua conta pessoal, assim como nas audiências e antes da oração do Ângelus.

Em 10 de agosto, o Papa expressou sua consternação pelas notícias que chegam do Iraque, onde “milhares de pessoas, em maioria cristãos, brutalmente expulsos de suas casas; crianças morrem de sede e de fome durante a fuga, mulheres são sequestradas, pessoas sofrem violências de todo tipo; destruição de casas, de patrimônios religiosos e culturais”.

“Tudo isso ofende gravemente Deus e a humanidade. Não se leva ódio em nome de Deus! Não se faz guerra em nome de Deus! Nós todos, pensando nessa situação, nesse povo, façamos silêncio agora e rezemos”, exortou aos fiéis depois do Ângelus dominical.

Do mesmo modo, depois de sua viagem para Coréia, Francisco telefonou para o Pe. Behnam Benoka, que junto com outros sacerdotes, religiosos e voluntários, atende em uma clínica improvisada com barracas aos 70.000 cristãos refugiados em Ankawa (Iraque), perto de Erbil.

O sacerdote enviou ao Papa –através do jornalista da CNA Alan Holdren-, uma carta transmitindo-lhe o sofrimento dos fiéis, que perderam familiares e todos os seus pertences por causa do Estado Islâmico, abandonando seus lares apenas com a roupa que tinham no corpo. O Pe. Benoka revelou que pelo menos uma pessoa morre por dia na clínica, principalmente idosos, e que muitos estão sofrendo pela exposição ao calor intenso e às longas horas que passaram sob o sol enquanto fugiam.

“Diga a todos que o Papa Francisco telefonou. Nunca me esqueço de ti e nunca te deixarei”, expressou o Santo Padre ao Pe. Benoka.


Para o Pontífice, a situação dos cristãos perseguidos –em especial no Iraque-, é de primeira urgência, por isso em meados de agosto enviou o Cardeal Filoni para expressar a sua proximidade aos fiéis e entregar ajuda. Do mesmo modo, enviou cartas ao presidente do Iraque e ao Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, pedindo-lhes que façam tudo o que seja possível para deter esta violência e socorrer às vítimas.

Crise no Iraque: Mons. Tomasi esclarece à ONU a posição da Santa Sé

Discurso bombástico do representante do Vaticano na sessão da Comissão de Direitos Humanos. O arcebispo adverte: "Os autores desses crimes contra a humanidade devem ser perseguidos com determinação"

Por Salvatore Cernuzio

ROMA, 05 de Setembro de 2014 (Zenit.org) - Até agora, é a posição mais clara expressa pelo Vaticano sobre os crimes bestiais perpetrados pelos terroristas islâmicos no Iraque e no Oriente Médio. O discurso de Mons. Silvano Maria Tomasi, observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas em Genebra, na sessão de setembro da Comissão de Direitos Humanos, brilha pela clareza, deixando claro o trabalho "nos bastidores" desempenhado pela diplomacia do Vaticano e reiterando - não sem uma certa dureza - o ponto de vista do Vaticano.

Que, obviamente, é o ponto de vista do Papa Francisco, apesar de que ainda esteja quente a discussão sobre a alegada "incompletude" e "ambiguidade" das palavras do Santo Padre no avião voltando da Coréia: "É lícito parar o agressor injusto. Não estou dizendo bombardear, fazer a guerra, mas impedi-lo".

Enquanto o mundo se pergunta o que quis dizer o Papa com aquela expressão, Mons. Tomasi não deixa margem a dúvidas. Porém, o texto completo do seu discurso não tinha sido divulgado por nenhum órgão de informação do Vaticano, até agora, apesar da sessão da Comissão ter ocorrido no dia 1 de Setembro. Sites de notícias nacionais e internacionais o divulgaram, entre os quais o blog “Settimo Cielo” do vaticanista do “L’Espresso” Sandro Magister. Só hoje o L’Osservatore Romano publicou o discurso.

Nele, Mons. Tomasi se dirigiu aos representantes de 47 países, incluindo a Itália e os Estados Unidos, Argentina e Brasil, Rússia e China, Nigéria e Sudão, Arábia Saudita e Qatar. Destes, o presidente é um diplomata do Gabão, Baudelaire Ndong Elias. No final dos trabalhos - relata o blog - a Comissão adoptou (sem votá-la) uma resolução para enviar uma missão no Iraque para a investigação de crimes.

Na abertura, o bispo fornece uma visão geral dos centros de violência nas diferentes regiões do mundo, particularmente no norte do Iraque, que - diz ele - "impõem às comunidades locais e internacionais a renovação dos esforços na busca da paz”. E reiteram com maior vigor “o respeito pela dignidade inviolável da pessoa humana”, que é “fundamento” de todos os direitos humanos, “mesmo antes das considerações do direito humanitário internacional e do direito bélico".

A proteção desses direitos humanos tem visto um fracasso trágico com a auto-proclamada “entidade destrutiva" que é o EIIL. Isso é demonstrado pelo aumento das violências nos últimos meses, postas em prática por terroristas islâmicos que Tomasi denuncia sem panos quentes: "As pessoas são degoladas por causa de sua fé; as mulheres são violadas sem piedade e vendidas como escravos no mercado; as crianças são forçadas a lutar; os prisioneiros são abatidos contra todas as disposições legais".

Onde, diante desta brutalidade, o governo "não é capaz de garantir a segurança das vítimas", então, é responsabilidade da proteção internacional "tomar medidas concretas com urgência e de forma decisiva para parar o agressor injusto, para restaurar uma paz justa e para proteger todos os grupos vulneráveis ​​da sociedade", afirma o representante do Vaticano.

Mas não é só a comunidade internacional - insiste o arcebispo - "todos os atores regionais e internacionais" são chamados em causa para "explicitamente condenar o comportamento brutal, bárbaro e não civilizado dos grupos criminosos que lutam no leste da Síria e no norte do Iraque".

Uma “responsabilidade da proteção” que deve ser assumida “de boa fé”, no quadro do direito internacional e do direito humanitário. Porque “a sociedade civil” no geral, e “as comunidades religiosas e étnicas" em particular, não deveriam se tornar "um instrumento de jogos geopolíticos regionais e internacionais". Nem sequer, argumenta Tomasi, deveriam ser vistas como "objeto irrelevante" por causa de sua identidade religiosa, ou porque outros atores a consideram uma "quantidade descartável". Portanto, a afirmação central de todo o discurso: "Proteção sem eficácia não é proteção".

Não falta também uma chamada às agências "ad hoc" da Organização das Nações Unidas, que, em cooperação com as autoridades locais, devem fornecer ajuda humanitária, alimentos, água, remédios e abrigo para todos aqueles que fogem da violência. Uma contribuição admirável que, no entanto, "deveria ser um auxílio temporário de emergência", disse o arcebispo. O problema, de fato, é outro, ou seja, que os cristãos expulsos à força, como também os Yazidis e outras minorias, “tenham o direito de voltar para suas casas, receber assistência para reconstruir suas casas e seus locais de culto, e viver em segurança".

De igual urgência é "parar o tráfico de armas e o mercado de petróleo ilegal", bem como "qualquer apoio político indireto, do assim chamado "Estado islâmico". Somente desta forma, assegura Mons. Tomasi se contribuirá "para acabar com a violência."

No penúltimo parágrafo de seu discurso, o arcebispo finalmente esclarece o que o Papa quis dizer com "parar o agressor injusto." "Os autores desses crimes contra a humanidade devem ser perseguidos com determinação - insiste -. Não deve ser-lhes permitido agir com impunidade, caso contrário, há o risco da repetição das atrocidades que foram cometidas pelo assim chamado "Estado islâmico".

De fato, "o que está acontecendo hoje no Iraque aconteceu no passado e poderia acontecer amanhã em outros lugares", alerta o delegado do Vaticano. E como a experiência nos ensina, "uma resposta insuficiente, ou pior ainda, a total inércia, muitas vezes resulta em um aumento da violência”.

Por isso - e aqui o arcebispo torna-se peremptório - "uma falha de proteção para todos os cidadãos iraquianos, deixando-os se tornar vítimas inocentes desses criminosos em um clima de palavras vazias, equivalente a um silêncio global, terá consequências trágicas para o Iraque, para os países vizinhos e para o resto do mundo”.


"Também será um duro golpe para a credibilidade daqueles grupos e indivíduos que lutam pela defesa dos direitos humanos e do direito humanitário", diz Tomasi. E, antes de concluir, lança um último vigoroso apelo aos líderes das diferentes religiões, que - diz ele - "têm uma responsabilidade especial para deixar claro que nenhuma religião pode justificar estes crimes moralmente condenáveis ​​e cruéis e bárbaros", e também para lembrar a todos que "como uma única família humana, somos guardiões de nossos irmãos". 

Crise no Iraque: Mons. Tomasi esclarece à ONU a posição da Santa Sé

Discurso bombástico do representante do Vaticano na sessão da Comissão de Direitos Humanos. O arcebispo adverte: "Os autores desses crimes contra a humanidade devem ser perseguidos com determinação"

Por Salvatore Cernuzio

ROMA, 05 de Setembro de 2014 (Zenit.org) - Até agora, é a posição mais clara expressa pelo Vaticano sobre os crimes bestiais perpetrados pelos terroristas islâmicos no Iraque e no Oriente Médio. O discurso de Mons. Silvano Maria Tomasi, observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas em Genebra, na sessão de setembro da Comissão de Direitos Humanos, brilha pela clareza, deixando claro o trabalho "nos bastidores" desempenhado pela diplomacia do Vaticano e reiterando - não sem uma certa dureza - o ponto de vista do Vaticano.

Que, obviamente, é o ponto de vista do Papa Francisco, apesar de que ainda esteja quente a discussão sobre a alegada "incompletude" e "ambiguidade" das palavras do Santo Padre no avião voltando da Coréia: "É lícito parar o agressor injusto. Não estou dizendo bombardear, fazer a guerra, mas impedi-lo".

Enquanto o mundo se pergunta o que quis dizer o Papa com aquela expressão, Mons. Tomasi não deixa margem a dúvidas. Porém, o texto completo do seu discurso não tinha sido divulgado por nenhum órgão de informação do Vaticano, até agora, apesar da sessão da Comissão ter ocorrido no dia 1 de Setembro. Sites de notícias nacionais e internacionais o divulgaram, entre os quais o blog “Settimo Cielo” do vaticanista do “L’Espresso” Sandro Magister. Só hoje o L’Osservatore Romano publicou o discurso.

Nele, Mons. Tomasi se dirigiu aos representantes de 47 países, incluindo a Itália e os Estados Unidos, Argentina e Brasil, Rússia e China, Nigéria e Sudão, Arábia Saudita e Qatar. Destes, o presidente é um diplomata do Gabão, Baudelaire Ndong Elias. No final dos trabalhos - relata o blog - a Comissão adoptou (sem votá-la) uma resolução para enviar uma missão no Iraque para a investigação de crimes.

Na abertura, o bispo fornece uma visão geral dos centros de violência nas diferentes regiões do mundo, particularmente no norte do Iraque, que - diz ele - "impõem às comunidades locais e internacionais a renovação dos esforços na busca da paz”. E reiteram com maior vigor “o respeito pela dignidade inviolável da pessoa humana”, que é “fundamento” de todos os direitos humanos, “mesmo antes das considerações do direito humanitário internacional e do direito bélico".

A proteção desses direitos humanos tem visto um fracasso trágico com a auto-proclamada “entidade destrutiva" que é o EIIL. Isso é demonstrado pelo aumento das violências nos últimos meses, postas em prática por terroristas islâmicos que Tomasi denuncia sem panos quentes: "As pessoas são degoladas por causa de sua fé; as mulheres são violadas sem piedade e vendidas como escravos no mercado; as crianças são forçadas a lutar; os prisioneiros são abatidos contra todas as disposições legais".

Onde, diante desta brutalidade, o governo "não é capaz de garantir a segurança das vítimas", então, é responsabilidade da proteção internacional "tomar medidas concretas com urgência e de forma decisiva para parar o agressor injusto, para restaurar uma paz justa e para proteger todos os grupos vulneráveis ​​da sociedade", afirma o representante do Vaticano.

Mas não é só a comunidade internacional - insiste o arcebispo - "todos os atores regionais e internacionais" são chamados em causa para "explicitamente condenar o comportamento brutal, bárbaro e não civilizado dos grupos criminosos que lutam no leste da Síria e no norte do Iraque".

Uma “responsabilidade da proteção” que deve ser assumida “de boa fé”, no quadro do direito internacional e do direito humanitário. Porque “a sociedade civil” no geral, e “as comunidades religiosas e étnicas" em particular, não deveriam se tornar "um instrumento de jogos geopolíticos regionais e internacionais". Nem sequer, argumenta Tomasi, deveriam ser vistas como "objeto irrelevante" por causa de sua identidade religiosa, ou porque outros atores a consideram uma "quantidade descartável". Portanto, a afirmação central de todo o discurso: "Proteção sem eficácia não é proteção".

Não falta também uma chamada às agências "ad hoc" da Organização das Nações Unidas, que, em cooperação com as autoridades locais, devem fornecer ajuda humanitária, alimentos, água, remédios e abrigo para todos aqueles que fogem da violência. Uma contribuição admirável que, no entanto, "deveria ser um auxílio temporário de emergência", disse o arcebispo. O problema, de fato, é outro, ou seja, que os cristãos expulsos à força, como também os Yazidis e outras minorias, “tenham o direito de voltar para suas casas, receber assistência para reconstruir suas casas e seus locais de culto, e viver em segurança".

De igual urgência é "parar o tráfico de armas e o mercado de petróleo ilegal", bem como "qualquer apoio político indireto, do assim chamado "Estado islâmico". Somente desta forma, assegura Mons. Tomasi se contribuirá "para acabar com a violência."

No penúltimo parágrafo de seu discurso, o arcebispo finalmente esclarece o que o Papa quis dizer com "parar o agressor injusto." "Os autores desses crimes contra a humanidade devem ser perseguidos com determinação - insiste -. Não deve ser-lhes permitido agir com impunidade, caso contrário, há o risco da repetição das atrocidades que foram cometidas pelo assim chamado "Estado islâmico".

De fato, "o que está acontecendo hoje no Iraque aconteceu no passado e poderia acontecer amanhã em outros lugares", alerta o delegado do Vaticano. E como a experiência nos ensina, "uma resposta insuficiente, ou pior ainda, a total inércia, muitas vezes resulta em um aumento da violência”.

Por isso - e aqui o arcebispo torna-se peremptório - "uma falha de proteção para todos os cidadãos iraquianos, deixando-os se tornar vítimas inocentes desses criminosos em um clima de palavras vazias, equivalente a um silêncio global, terá consequências trágicas para o Iraque, para os países vizinhos e para o resto do mundo”.


"Também será um duro golpe para a credibilidade daqueles grupos e indivíduos que lutam pela defesa dos direitos humanos e do direito humanitário", diz Tomasi. E, antes de concluir, lança um último vigoroso apelo aos líderes das diferentes religiões, que - diz ele - "têm uma responsabilidade especial para deixar claro que nenhuma religião pode justificar estes crimes moralmente condenáveis ​​e cruéis e bárbaros", e também para lembrar a todos que "como uma única família humana, somos guardiões de nossos irmãos". 

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O Estado Islâmico não faz diferença entre Oriente e Ocidente. Todos somos incrédulos!

O que está acontecendo no Oriente Médio é pior do que o que temos assistido durante as guerras mundiais
Por Fadi Sotgiu Rahi, C.SS.R.
ROMA, 04 de Setembro de 2014 (Zenit.org) - As notícias dos telejornais, da imprensa e da internet em todo o mundo, ultimamente, são todas dedicadas às ações desumanas, imorais e brutais do Estado Islâmico da Grande Síria e do Iraque (EIIL).
Por mais de três meses, o massacre, a perseguição, a deportação e os sequestros dos cristãos sírios e iraquianos são as prioridades dos extremistas islâmicos sunitas jihadistas, que estão dominando algumas regiões do Levante, anunciando o nascimento de um novo califado islâmico.
Diante de tanto sangue que flui no Iraque, no panorama das cidades mais antigas do cristianismo já esvaziadas, diante de milhares de refugiados que fogem diariamente das suas terras, diante das fotos de crianças e idosos abandonados, diante dos bombardeios das igrejas e das mesquitas mais antigas e diante do número ilimitado de mártires cristãos durante estes últimos meses, a maior parte das nações do mundo permaneceu em silêncio total olhando para o que acontece no Oriente Médio deixando só alguns breves comentários. Algo muito triste...
O novo califado do estado islâmico Abu Bakr al-Baghdadi é seguido por mais de vinte mil muçulmanos sunitas na Síria e no Iraque públicamente; enquanto no Líbano ainda é secretamente seguido. Os membros do EIIL aumentam e continuam nas suas ações sem nenhuma misericórdia convertendo todos à força ao Islã, com o grito: Allahu Akbar (Deus é grande), e considerando os não-muçulmanos Cuffar (incrédulos).
No entanto, o cenário de perseguição aos cristãos, de acordo com EIIL, não é só o Levante. Eles consideram todo o Ocidente um mundo cristão; portanto, não fazem distinção entre o Oriente e Ocidente; já alguns deles começavam a anunciar a conversão ao Islã em alguns países ocidentais.
Em 20 de agosto deste ano, então, ocorreu a decapitação do jornalista americano James Foley, 40, no Iraque, que foi sequestrado no final de 2012, na Síria. Enquanto isso, a posição dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha para o EIIL mudou, e ambos anunciaram o estado de alerta máximo por temor de um atentado nos seus territórios. O presidente Obama ordenou bombardear os postos dos salafistas jihadistas no Iraque, sem enviar soldados ao território.
Durante o mês de agosto, a presença dos membros pertencentes a este Estado ou os seus "simpatizantes" em vários países, começaram a aparecer publicamente na Europa e em outros lugares, demonstrando e carregando a bandeira do novo Estado auto-proclamado independente. Na Haia, Holanda, mais de 500 pessoas manifestaram livremente para apoiar o Estado islâmico no Levante, sem nenhuma reação por parte do Estado que queria "respeitar a liberdade de expressão".
Em Colônia, Alemanha, por outro lado, cerca de setenta muçulmanos também manifestaram com esse objetivo, mas depois de um confronto com a polícia quase todos foram presos. Duas semanas depois, em Londres, centenas de muçulmanos bloqueiavam e percorriam as ruas da cidade com a bandeira do EIIL e a foto do califa.
Tais manifestações públicas que apoiam o estado islâmico, junto com a descoberta de tantos europeus que lutam com os terroristas na Síria e no Iraque, causaram uma forte movida da consciência coletiva e, especialmente, na de alguns líderes civis na Europa, que perceberam o perigo em andamento. Precisamente por esta razão, o primeiro-ministro dos Países Baixos decidiu, em 25 de agosto, retirar a nacionalidade holandesa de todos aqueles que estão lutando no Iraque e na Síria, bem como daqueles que pertencem a esses movimentos terroristas. A mesma decisão foi tomada pelo presidente da Argentina.
O EIIL, por sua vez, já está tentando desenvolver a sua presença em outras nações árabes, penetrando no Líbano. Os soldados libaneses, porém, defendem bem as suas fronteiras, especialmente depois do confronto com mais de 6.000 terroristas que tentaram entrar pelas montanhas sírias para dominar o país Erssal no norte da Bekaa. Mais de vinte heróis militares morreram no conflito, centenas de soldados e civis feridos, a maior parte dos habitantes emigraram.
O que está acontecendo no Oriente Médio é pior do que o que temos assistido durante as guerras mundiais. Por isso, tem razão o Papa Francisco quando diz que já começou uma "terceira guerra mundial". A visita conjunta dos quatro Patriarcas das Igrejas Orientais, em Arbil no norte do Iraque, também foi um sinal de confirmação da unidade das Igrejas ao redor dos cristãos perseguidos, cujo rosto reflete o de Jesus sofredor no Calvário.

A crise é enorme, as forças são fracas e as grandes nações não se interessam pelo povo que sofre. A Igreja ajuda a abrir as portas das casas de Deus como lugar de acolhimento para os refugiados. O mundo, no entanto, está lá para assistir de braços cruzados.

Shimon Peres propõe ao Papa a criação de uma "ONU das Religiões"

Durante a reunião que teve lugar esta manhã, no Vaticano, o ex-presidente israelense mostrou esta solução como "a melhor maneira de combater os terroristas que matam em nome da fé"
Por Redacao
ROMA, 04 de Setembro de 2014 (Zenit.org) - A "ONU das religiões". Esta é a proposta que Shimon Peres, Prêmio Nobel da Paz em 1994, juntamente com Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, apresentou esta manhã ao papa Francisco no decorrer da conversa entre os dois que ocorreu na Basílica de São Pedro. A notícia foi divulgada em entrevista à Famiglia Cristiana.
O ex-presidente do Estado de Israel, cujo mandato terminou em 24 de julho, observa que as Nações Unidas, muitas vezes, é impotente diante das ações dos grupos terroristas "que pretendem matar em nome de Deus". Sempre que acontece episódios brutais, as intervenções do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon - de acordo com Peres – não produzem efeito, uma vez que suas declarações "não têm nem a força nem a eficácia de qualquer homilia do Papa, que reúne meio milhão de pessoas na praça de São Pedro".
Portanto, acrescenta Peres, "nota-se que a ONU teve seu dia, o que precisamos é uma Organização das Religiões Unidas, a ONU das Religiões". O ex-presidente israelense acredita que seria "a melhor maneira de lutar contra estes terroristas que matam em nome da fé, porque a maioria das pessoas não são como eles, praticam a própria religião sem matar ninguém, sem sequer pensar nisso."

Peres acredita também em uma "Carta das Religiões Unidas, assim como a Carta das Nações Unidas". A nova Carta serviria para estabelecer "em nome de todos os credos" que "cortar a garganta das pessoas ou realizar assassinatos em massa, como temos visto nas últimas semanas, não tem nada a ver com religião. Isto foi o que eu propus ao Papa". 

sábado, 30 de agosto de 2014

Refugiados do Iraque necessitam ajuda internacional imediata para sobreviver no inverno

ROMA, 29 Ago. 14 (ACI/EWTN Noticias) .- O verão está terminando e as baixas temperaturas se aproximam no Iraque. Neste contexto, Catholic Relief Service (CRS), a agência humanitária internacional dos bispos dos Estados Unidos, adverte que os refugiados iraquianos dependerão cada vez mais da comunidade internacional para satisfazer as suas necessidades.

O diretor de programação do Catholic Relief Service no Egito, Kris Ozar, esteve viajando constantemente a Erbil onde CRS está assistindo aos refugiados mais necessitados.

Ozar expressou a sua preocupação, já que a autoridades públicas não têm um plano para os deslocados internos.

"Ninguém sabe o que fazer neste momento, mas segundo dados das Nações Unidas, existem 1,2 milhões de deslocados internos", disse Ozar ao Grupo ACI. "Estas pessoas precisam de tudo, não só de roupa, água, alimentos, que são as necessidades essenciais. Devemos recordar que se aproxima o inverno e não podem dormir à intempérie".

Mais de 70 mil cristãos foram deslocados de Mosul, Bakhdida e outros povoados da província de Nínive para Erbil por causa do advento do Estado Islâmico, um califado recentemente estabelecido que perseguiu a todos os não sunitas em seu território, que se estende entre as faixas do Iraque e Síria.

Ozar se referiu a sua experiência em Erbil: "Vi dezenas de milhares de pessoas que dormem sob o céu aberto, cheios de temor. Dormem em condições higiênicas precárias e têm medo de tudo".


"Necessitamos recursos", destacou Ozar. "Necessitamos 7 milhões de dólares para poder proporcionar abastecimento e um refúgio, mas necessitamos que a comunidade internacional transfira imediatamente o dinheiro para poder continuar trabalhando. A ajuda se necessita agora".

O papa telefona para um sacerdote iraquiano do campo de refugiados de Ankawa

O religioso tinha enviado uma mensagem a Francisco através do aplicativo Viber

Por Robert Cheaib

CIDADE DO VATICANO, 29 de Agosto de 2014 (Zenit.org) - "Uma carta de lágrimas": este foi o título que o pe. Behnam Benoka deu à carta que escreveu ao papa Francisco. O sacerdote explicou a ZENIT que aproveitou a presença do amigo jornalista Alan Holdren, no voo pontifício de volta da Coreia do Sul, para enviar a carta ao papa através do Viber, um aplicativo de mensagens para telefones celulares inteligentes. O jornalista transcreveu a carta em papel e o entregou ao Santo Padre.

No texto, o sacerdote se dirige ao papa dizendo: "Ao Santo Padre, nosso pastor misericordioso. Meu nome é Behnam Benoka, sacerdote de Bartella, uma pequena cidade cristã perto de Mossul. Sou vice-reitor do seminário católico de Ankawa. Mas hoje estou em uma barraca que montamos junto com uma equipe de médicos e voluntários para dar assistência médica aos nossos irmãos que estão desabrigados por causa da perseguição".

O pe. Behnam explica ao Santo Padre a trágica situação de centenas de milhares de cristãos: "Santidade, a situação das suas ovelhas é miserável. Eles morrem e têm fome. Seus pequenos têm medo e não aguentam mais. Nós, sacerdotes, religiosos e religiosas, somos poucos e tememos não conseguir responder às exigências físicas e psíquicas dos filhos deles, que também são nossos".

O sacerdote expressa ainda o seu reconhecimento ao papa Francisco pelos contínuos apelos que ele tem feito em prol dos irmãos perseguidos no Iraque: "Quero lhe agradecer muito, muitíssimo mesmo, por nos manter sempre no seu coração. Coloque-nos no altar em que celebra a missa para que Deus cancele os nossos pecados e tenha misericórdia de nós, e, talvez, afaste de nós este cálice".

A carta prossegue, manifestando temores e pedindo bênçãos: "Escrevo com as minhas lágrimas, porque estamos em um vale escuro no meio de uma grande alcateia de lobos ferozes. Santidade, tenho medo de perder os seus pequenos, em especial os recém-nascidos que, a cada dia, se cansam e se debilitam mais; temo que a morte leve embora alguns deles. Mande-nos a sua bênção para termos a força de seguir em frente e, quem sabe, resistir ainda mais. Com profundo amor, Behnam Benoka".

A resposta de Francisco não demorou. De volta à Itália, na manhã do dia 19 de agosto, o papa telefonou para o pe. Behnam expressando a sua profunda comoção com a carta recebida.

Conforme as declarações do sacerdote, o papa lhe manifestou a sua profunda gratidão pelo trabalho dos voluntários nos campos de refugiados.

Na conversa telefônica, o papa Francisco confirmou o seu pleno apoio e a sua proximidade dos cristãos perseguidos, prometendo que continuará fazendo todo o possível para dar alívio ao sofrimento deles.


Ao se despedir, o Santo Padre deu a bênção apostólica e rogou que nosso Senhor dê a esses irmãos o dom da perseverança na fé.

O Santo Padre ao pároco de Gaza: ser sal da terra

O padre Jorge Hernandez, argentino do Instituto do Verbo encarnado: Francisco nos encoraja a ser sal da terra em Gaza

Por Redacao

ROMA, 29 de Agosto de 2014 (Zenit.org) - O Papa Francisco reuniu-se esta manhã com o Padre Jorge Hernandez, do Instituto Argentino Verbo Encarnado, pároco de Gaza. Durante o encontro, conversaram sobre os momentos dramáticos que estão vivendo estas semanas na Faixa.

O padre Hernández explicou em uma entrevista à Rádio Vaticano que o Papa Francisco sempre esteve perto deles, “enviou-nos um email e que traduzimos rapidamente para o árabe e assim chegou a toda a comunidade cristã, que agradeceu muito”, porque um pensamento desses em momentos assim “é um consolo enorme, um alívio”.

Também salientou a importância do convite do Papa para um encontro pessoal com ele, “para nos fazer entender, sentir sua proximidade, sua palavra, seu encorajamento para que sejamos – esta é a mensagem em síntese – sal da Terra em Gaza”.

E acrescenta que, se houve alguma palavra do Papa Francisco que lhe tocou de forma particular foi as do testemunho cristão. O Santo Padre disse-lhe que “o Evangelho exige sacrifícios, que Jesus Cristo nos pede em diferentes lugares. Alguns tem que testemunhar a Jesus Cristo ali, na terra que o viu sofrer, que o viu morrer, mas que também o viu ressuscitar. Portanto, força, coragem, adiante!”

Por outro lado, o sacerdote explicou na entrevista que o Papa Francisco "está ciente do fato de que somos uma minoria: falamos de 1300 (cristãos) em quase 2 milhões de pessoas, dos quais 136 são católicos". Ou seja, a paróquia do padre Hernandez tem 136 fiéis. Embora – acrescentou – as relações com os ortodoxos são muito boas.

O sacerdote do Verbo Encarnado analisou como o compromisso de Francisco pela paz na Terra Santa é visto também pelos não cristãos. "É um compromisso de vida, um compromisso existencial e concreto, para dizer que a paz é possível, que os dois povos podem viver em paz, testemunhando especialmente o Príncipe da paz, que é Jesus Cristo”. E acrescenta: “os frutos da peregrinação do papa Francisco já são palpáveis e serão mais no futuro: o fato de ter conquistado o coração das pessoas, de ter dado uma palavra boa para os dois Estados foi para nós uma graça enorme”.

Em relação à trégua recentemente alcançada, o padre disse que as pessoas, os paroquianos, "esperam que seja duradoura". E também esclarece que "é necessário entender uma coisa: uma guerra não é vencida por ninguém. Ninguém. As duas partes terão que pagar as consequências, uns de um modo e outros de outra”.


Finalmente, o Padre Jorge faz um apelo. “A paz é possível, a paz requer sacrifícios, requer o testemunho mútuo e o reconhecimento do próximo. Mas, é possível”. Além do mais, agradeceu todas as pessoas que mostraram sua proximidade, “especialmente aos doentes, que têm oferecido o seu sofrimento, rezando e implorando por esta paz".

Nossa Senhora da Caridade do Cobre é entronizada nos Jardins do Vaticano

A imagem da padroeira de Cuba é uma réplica da original feita em bronze

Por Redacao

CIDADE DO VATICANO, 29 de Agosto de 2014 (Zenit.org) - Nossa Senhora da Caridade do Cobre já está nos Jardins do Vaticano. Com uma cerimônia celebrada às 9h da manhã de ontem, com meia hora de duração, a padroeira de Cuba foi colocada na área próxima ao Sino do Jubileu.

O Santo Padre não pôde estar presente. Participaram os cardeais Antonio Cañizares, prefeito da Congregação para o Culto Divino, Giuseppe Bertello, presidente do governatorado do Estado da Cidade do Vaticano, e Tarcisio Bertone, ex-secretário de Estado. Mons. Fernando Vérgez Alzaga, secretário geral do governo da Cidade do Vaticano, os acompanhou.

Participaram também o embaixador de Cuba perante a Santa Sé, junto com a esposa, e dez bispos cubanos. Em total, estiveram presentes na entronização cerca de 60 pessoas.

Durante o ato, após a oração, o cardeal Bertone fez um breve discurso.

O papa Francisco tinha anunciado na audiência geral desta quarta-feira que os jardins do Vaticano receberiam no dia seguinte a imagem da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba. Francisco aproveitou para “saudar com afeto os bispos de Cuba, vindos a Roma para esta ocasião”, ao mesmo tempo em que lhes pediu “enviar a minha bênção a todos os fiéis cubanos”.


A pequena imagem guarda uma singular história de fé e devoção mariana. É uma réplica da imagem feita em bronze que foi colocada em uma ermida na Baía de Nipe, nordeste da atual diocese cubana de Holguín, nos anos 1950. A ermida marca o lugar em que, no ano de 1612, três mineiros de sal acharam a imagem flutuando nas águas sobre uma tábua com o letreiro “Eu sou a Virgem da Caridade”.

Ulemás: a violência do Estado Islâmico viola a sharia

Líderes muçulmanos declaram que as ações das milícias extremistas no Iraque e na Síria são contrárias à lei islâmica

Por Sergio Mora

ROMA, 29 de Agosto de 2014 (Zenit.org) - A União Internacional dos Ulemás, liderada pelo influente pregador Youssef al-Qaradawi, do Catar, declarou nesta quarta-feira, 27 de agosto, que as ações do grupo Estado Islâmico no Iraque e na Síria violaram a lei do islã.

"A matança de pessoas inocentes, muçulmanas ou não, por parte de grupos como as milícias do Estado Islâmico (EI) a pretexto de motivações confessionais repugnantes é um delito e viola a sharia". O comunicado foi publicado em Doha, onde reside Yousef Al-Qaradawi, líder do movimento.

Na França, diversas associações levantaram a voz, como a Organização da Cooperação Islâmica, principal porta-voz do mundo muçulmano em seus 57 países membros, que, durante o ataque das milícias do Estado Islâmico no final de julho, condenou “as ações terroristas e as ameaças proferidas pelo DAECH (sigla do Estado Islâmico em árabe) contra cidadãos cristãos inocentes em Mossul e Nínive, que tiveram que abandonar as suas casas”. Trata-se de “um crime que não pode ser tolerado” e que “não tem nada a ver com o islã nem com os seus princípios, que propõem a justiça, a caridade, a equidade, a tolerância e a coexistência”.

Foram feitos ainda outros pronunciamentos, como o da União de Organizações Islâmicas da França, que manifestou a sua solidariedade para com os cristãos perseguidos, e o Conselho Francês do Culto Muçulmano, que convidou seus fiéis “a reafirmarem o apreço pela liberdade religiosa e pelo respeito de todas as crenças de cada pessoa humana”. Esses comunicados, porém, ainda não são numerosos o suficiente.

Em 12 de agosto, o Vaticano pediu que sejam condenadas todas as ações violentas: “É necessário sermos unânimes na condenação sem nenhuma ambiguidade dos crimes que estão sendo cometidos no Iraque e denunciarmos a invocação da religião para justificá-los”, pronunciou-se o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, em comunicado oficial.

O Conselho Pontifício pediu que todas as pessoas comprometidas no diálogo inter-religioso, os seguidores de todas as religiões e os homens e mulheres de boa vontade "denunciem e condenem sem ambiguidade estas práticas indignas do ser humano".

Por outro lado, um documentário de um correspondente muçulmano da Vice News, que conviveu durante três semanas com as milícias do Estado Islâmico, registra um dos combatentes das filas de Abu Bakr Al-Bagdadi proclamando: "Nós somos os muçulmanos que querem que a sharia seja cumprida nesta terra. Juro por Deus, o único Deus que existe, que a única maneira de fazer cumprir a sharia é mediante as armas".


A ONU denunciou nesta quarta-feira a violência implacável do Exército Islâmico e a do regime de Assad contra os civis na Síria. No relatório, os analistas da ONU declaram que todas as partes em conflito estão recebendo vultosas quantidades de armas e munições dos seus simpatizantes no exterior e reiteram a necessidade de um embargo. 

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O niilismo e o genocídio dos cristãos

O grande grupo que é excluído das políticas e ações niilistas são os cristãos. Atualmente os cristãos são o grupo social mais perseguido em todo o planeta Terra.

Por Ivanaldo Santos

SãO PAULO, 26 de Agosto de 2014 (Zenit.org) - A sociedade contemporânea é marcada por dois fortes, problemáticos e tristes fenômenos. Esses fenômenos são o triunfo do niilismo e o genocídio dos cristãos. O niilismo é uma expressão cultural, de origem filosófica, que desde o século XIX prega, com agressividade, que não existe nenhum valor ético, religioso ou princípio filosófico. Por causa disso, o niilismo defende a morte de Deus, a dissolução da Igreja, o fim da família, o fim da sociedade tradicional, herdada dos gregos antigos, e o abandono de qualquer ideia ou noção que possa representar algum principio ético e filosófico. O niilismo deseja criar uma sociedade pós-ocidental, pós-moderna, pós-cristã, pós-Igreja, pós-metafísica, pós-ética e pós-família. Como representantes da cultura niilista é possível citar, por exemplo, pensadores como: Marx, Freud, Nietsche, Heidegger, Foucault e Rorty.

Desde o século XIX e principalmente após a década de 1950 o niilismo faz muito sucesso entre a elite cultural, artista, política e econômica do Ocidente. Trata-se de uma elite que, em grande medida, se alto proclama como sendo pós-ocidental, pós-cristã e coisas semelhantes. Por causa disso essa elite fala, entre outras coisas, em democracia, em direitos das minorias, em direitos humanos e em pluralidade cultural.

Como consequência do avanço do niilismo no Ocidente vê-se, com frequência, políticas e ações sociais que valorizam, por exemplo, o uso das drogas ilícitas, o aborto e a união homossexual, mas, na contramão, poucas ações voltadas para a família e para a vida religiosa.

O grande grupo que é excluído das políticas e ações niilistas são os cristãos. Atualmente os cristãos são o grupo social mais perseguido em todo o planeta Terra. Da Ásia, da África, passando pelo Oriente Médio, pelos países governados por regimes totalitários, como a Coreia do Norte, China e Cuba, passando pelo círculo bolivariano (Venezuela, Equador, Bolívia, etc) até chegar as democracias liberais (EUA, Inglaterra, etc) os cristãos sofrem algum tipo de preconceito e de perseguição. Praticamente todos os dias são publicados notícias que dizem, por exemplo, que um grupo de cristãos fora queimado vivo, que outro grupo de cristãos forasumariamente fuzilado e outras coisas terríveis. Todos esses atos de barbárie e violência acontecem apenas porque essas pessoas são cristãs.

O auge dessa perseguição contemporânea aos cristãos, uma perseguição pós-ocidental, pós-moderna, etc; é o genocídio praticado contra os cristãos e contra outras minorias religiosas e étnicas no Oriente Médio. Esse genocídio acontece nos dias atuais e é praticado pelo Estado Islâmico (EI) e por outros grupos radicais e fundamentalistas que, dentro do Oriente Médio, desejam destruir totalmente os cristãos e as demais minorias. Atualmente no Oriente Médio é comum os cristãos serem fuzilados, crucificados, enforcados e degolados.

Dentro de toda essa triste realidade, o surpreendente é que a atual elite Ocidental, uma elite niilista, que se alto proclama de democrática e de pluralista, quase nada diz ou faz para proteger os cristãos massacrados no Oriente Médio e até mesmo os cristãos perseguidos em outras regiões do mundo. É surpreendente que a elite econômica e cultural do Ocidente gaste milhões e milhões de dólares em projetos ambientais e em campanhas a favor do aborto, mas fique quase que totalmente calada, paralisada diante das atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico e seus aliados contra os cristãos e outras minorias. 

Como adverte Richard Weaver as ideias têm consequências. Depois da elite ocidental se embriagar, por quase 180 anos, com as ideias niilistas, essa mesma elite fica chocada ao ver uma árvore ser derrubada, mas essa mesma elite não diz quase nada, pouco fala diante da perseguição aos cristãos em vários países do mundo e especialmente do genocídio dos cristãos no Oriente Médio.


É tempo de haver uma reflexão autenticamente crítica diante das ideias niilistas. Junto com essa reflexão, reconhecer que os cristãos são seres humanos portadores de direitos humanos e de dignidade e respeito Se as árvores precisam ser respeitadas, os cristãos massacrados no oriente Médio também necessitam ser protegidos e preservados. O niilismo criou um homem que paradoxalmente não pensa no próprio homem. Por causa disso, é tempo de criticar o niilismo e, com isso, passar a ver os seres humanos que realmente estão sofrendo e sendo vítimas de todas as formas de violência, de brutalidade, de tortura e de genocídio.

10 coisas que você precisa saber sobre os extremistas do Estado Islâmico

A começar pelo nome do grupo: afinal, é EI, EIIL, EIIS, ISIS, ISIL, Califado...?

© Baqiya Media
EIIL, EIIS, ISIS ou ISIL? Estado Islâmico ou Califado?

O grupo de extremistas islâmicos sunitas que está espalhando o terror por partes da Síria e do Iraque não causou apenas um rastro de morte e destruição, mas também muita confusão na cabeça das pessoas do mundo inteiro.

Para tentar esclarecer algumas dessas dúvidas, a edição norte-americana de Aleteia consultou analistas que vêm estudando o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), um dos vários nomes atribuídos ao grupo radical. Pela colaboração, agradecemos ao pe. Elias D. Mallon, diretor do Departamento de Assuntos Exteriores da Associação Católica pela Prosperidade do Oriente Próximo, sediada em Nova Iorque; ao jesuíta pe. Mitch Pacwa, do canal católico de televisão EWTN, dos Estados Unidos; e a William Kilpatrick, autor do livro “Christianity, Islam and Atheism: The Struggle for The Soul of The West” [“Cristianismo, islã e ateísmo: a luta pela alma do Ocidente”].

1. O que ou quem é o EIIL? Como ele surgiu?

O EIIL (Estado Islâmico do Iraque e do Levante) é formado por extremistas sunitas, recrutados em todo o mundo de língua árabe e até em regiões externas a ele. Suas origens se conectam com Abu Musab al-Zarqawi, terrorista nascido na Jordânia.

"Al-Zarqawi foi para o Afeganistão como jihadista no final da década de 1980", explica o padre Mallon. "Lá, ele fundou a Organização para a Tawhid (proclamação da unidade de Deus) e para a Jihad e, em 2004, colocou essa organização sob a liderança da Al-Qaeda e declarou a guerra total contra os xiitas".

O Estado Islâmico (EI, outro dos nomes e siglas atribuídos ao grupo) foi muitas vezes chamado de “Al-Qaeda do Iraque” durante a Guerra do Iraque [nos anos 2000], explica uma nota da arquidiocese de Toronto. O grupo se proclama como um Estado independente que reivindica partes do Iraque, da Síria e do Líbano. Criado no início da Guerra do Iraque, o grupo tem como alvo principal os militares e os governos do Iraque e da Síria, mas assumiu também a autoria de ataques que mataram milhares de civis iraquianos. De acordo com estudos de agências de inteligência norte-americanas, o Estado Islâmico tem planos de tomar o poder e transformar esse território num estado islâmico fundamentalista.

Al-Zarqawi foi morto pela detonação de uma bomba norte-americana em 2006.

"Parece então que o EIIL é um desdobramento da Al-Qaeda do Iraque", observa o padre Mallon. "Mas a própria Al-Qaeda já criticou o EIIL por ser excessiva e indiscriminadamente violento, o que o colocaria no risco de perder apoio popular".

"Como ramo da Al-Qaeda, o EIIL segue a teologia wahabita do islamismo sunita, que surgiu no leste da Arábia nos anos 1740", destaca o padre Pacwa. "Sua obsessão é com o conceito da unicidade de Deus. Os primeiros wahabitas se revoltaram com as honrarias dedicadas ao profeta Maomé em seu túmulo na cidade de Medina. Por isso eles destruíram o túmulo completamente. A catequese deles na Arábia enfatizava a unidade absoluta de Deus e convocava todos os muçulmanos a se unirem a eles na aplicação desta doutrina ou, do contrário, a serem mortos".

O EIIL é hoje liderado por Abu Bakr al-Baghdadi, que se declarou "Califa" em 29 de junho deste ano. Se a constante alternação de nomes do EIIL é desconcertante, aplica-se o mesmo a Al-Baghdadi. Seu nome original é Ibrahim Awwad Ibrahim Ali al-Badri al-Samarra'i. Ele adotou seu atual “nome de guerra” em homenagem ao primeiro califa, Abu Bakr.

"Recentemente, Al-Baghdadi começou a se chamar de Abu Bakr al-Baghdadi al Husseini al-Qurayshi, sendo que os dois últimos nomes são uma tentativa de ligar a linhagem dele com a do profeta Maomé e com a tribo dos coraixitas", explica o padre Mallon. "Se ele é mesmo descendente do Profeta, isso deveria ficar óbvio em seu nome. Mais recentemente, ele passou a usar o título de ‘O Comandante dos Fiéis Califa Ibrahim’".

2. Por que surgiu o EIIL?

O pe. Mallon aponta dois motivos para o surgimento do EIIL:

“Motivo ideológico: difundir o islã e o domínio islâmico pelas terras do clássico Califado Abássida, que chegou a se estender até a Península Ibérica. O grupo mostra pouca compreensão da história axadrezada do califado. Neste sentido, o EIIL tende a um certo “romantismo”, mas de tipo incrivelmente brutal.

Motivo prático: muitos sunitas no Iraque e na Síria sentem-se marginalizados, tanto pelo governo alauíta de Bashar al-Assad em Damasco quanto pelo governo xiita de Nouri al-Maliki em Bagdá. Eu acho que muitos sunitas veem o EIIL como a única oposição eficaz, especialmente no tocante ao regime de Bagdá. Não tenho certeza, mas suspeito que a lealdade não vai muito a fundo”.

3. Qual é o objetivo do EIIL e a probabilidade de atingi-lo?

O objetivo do grupo é restabelecer o califado e ampliar ao máximo a hegemonia religiosa, política e militar islâmica, diz o padre Mallon. "Para conseguir isso, eles estão dispostos a violar os princípios tradicionais da guerra islâmica".

4. É um movimento global?

“Sim e não”, responde o padre Mallon. "É global porque apela a um público amplo de muçulmanos que compartilham a ideia romântica de um califado em que os muçulmanos governam tudo e todos. Mas não é um movimento global quando levamos em consideração que ele provavelmente não é sustentável em vários aspectos. Além disso, haverá oposição por conta do crescente desejo de democracia em muitos países muçulmanos. A democracia é a antítese dos califados, historicamente autocráticos. E os xiitas, em princípio, são contrários a um califado sunita mandando neles".

Prossegue Mallon: "Embora o EIIL use os métodos mais brutais e selvagens, seria um grave erro enxergá-lo como um grupo primitivo. Ele já se mostrou perturbadoramente sofisticado no uso dos meios de comunicação e das mídias sociais. Há relatos de uma loja em Istambul e de um site em que podem ser compradas camisetas com o logotipo do EIIL, além da faixa que nós vemos na testa dos combatentes do EIIL e de outras formas de propaganda. O New York Times estima que o EIIL seja o grupo terrorista mais rico do mundo, com centenas de milhões de dólares. A maior parte dessa riqueza vem dos bancos e das pessoas físicas que eles roubaram nas cidades saqueadas. Parece que eles têm evitado depender de fontes externas de financiamento, porque essas fontes poderiam ser facilmente bloqueadas".

5. Qual é a atitude do EIIL em relação com o cristianismo, em particular no Oriente Médio?

O pe. Mallon explica que a atitude do EIIL em relação ao cristianismo parece basear-se na crença de que todas as referências positivas aos cristãos no alcorão foram revogadas (por exemplo, a que chama os cristãos de "os mais próximos dos muçulmanos no amor"). Isto reduziria os cristãos a alvos de humilhação, aniquilação ou conversão forçada. "Mas esta posição não é muito difundida entre os muçulmanos em geral".

O pe. Pacwa explica que os wahabitas modificaram o ensino corânico tradicional em relação às outras religiões. "O alcorão ensina que os judeus e os cristãos fazem parte dos ‘povos do livro’, já que a sua bíblia inclui livros de ou sobre antigos profetas que o islã reconhece. Judeus e cristãos que se submeterem ao islã e pagarem o imposto da jizya para receber proteção dos muçulmanos estarão seguros. Mas o wahabismo ensina que os judeus e os cristãos de hoje em dia decaíram e não são mais considerados parte dos ‘povos do livro’. Eles são hoje iguais aos infiéis, ou ‘kufar’, em árabe, e a alternativa que resta a eles é converter-se ou ser mortos. O mesmo se aplica aos pagãos e aos ateus. Por incrível que pareça, os radicais também atribuem o status de infiéis aos xiitas e a todas as outras seitas do próprio islamismo, como a dos alauítas que governam a Síria. Isto explica por que eles atacam cristãos, xiitas, alauítas, yezidis e qualquer um que seja diferente dos wahabitas, que ensinariam a forma mais pura da unicidade de Deus".

6. Há muitos relatos de atrocidades cometidas contra os cristãos e outras minorias religiosas. O que se sabe com certeza?

O pe. Mallon diz que existem "testemunhos razoavelmente confiáveis ​​de atrocidades" cometidas pelo EIIL contra os cristãos, contra os sunitas moderados, contra os xiitas e contra outros grupos religiosos. "Muitos foram executados, mulheres foram escravizadas, etc.".

O pe. Pacwa acrescenta que a ideologia wahabita não explica as crucificações relatadas. "Decapitar crianças não é uma prática islâmica normal, nem ensinar aos filhos que as cabeças humanas são troféus. Se eles fossem loucos, a disciplina militar deles não seria tão boa. Aparentemente, eles escolheram uma escuridão tamanha de alma que até a Al-Qaeda já rejeitou o EIIL".

7. Os Estados Unidos ou a comunidade internacional poderiam tê-los parado antes? E agora?

O EIIL poderia ter sido enfraquecido pelos Estados Unidos e pela comunidade internacional, acredita o padre Mallon, "mas eu não acredito que ele possa ser parado por agentes externos. Ele tem que ser parado de dentro da sociedade síria e iraquiana. Quando a população em geral se revoltou com a violência de Al-Zarqawi, o movimento dele perdeu força consideravelmente. Os apoiadores ideológicos ou românticos do EIIL parecem ignorar muito da história, dos fatos e até da moralidade islâmica. Mas eu acho que os apoiadores práticos e políticos são na maioria sunitas com graves e reais queixas contra os governos de Damasco e de Bagdá. Eu acredito que se as demandas desses sunitas fossem apresentadas de uma forma justa, equitativa e democrática, o EIIL perderia muito do apoio que tem hoje".

Esta é uma realidade que os governos ocidentais deveriam enxergar.

8. O Iraque está formando um novo governo. Qual é a relevância deste processo?

Formar um novo governo não é suficiente, opina o pe. Mallon. O Iraque tem que formar um novo tipo de governo, um governo livre de corrupção e de nepotismo, livre de divisões, "um governo de, por e para todos os iraquianos. Sem este novo tipo de governo, eu não acredito que o Iraque seja viável como país unificado".

9. Qual é o papel que as Igrejas podem desempenhar nesta crise humanitária?

Pe. Mallon: "As Igrejas cristãs do Oriente Médio estão numa posição de fraqueza, talvez na sua pior posição em todos os tempos. Mas elas podem fornecer assistência tanto material quanto espiritual para quem está sofrendo. As Igrejas podem dar um poderoso testemunho da necessidade de justiça. As Igrejas têm a capacidade de espalhar informação não partidária por todo o planeta. As Igrejas poderiam ter um papel de conciliadoras. Os árabes cristãos, normalmente, são pessoas educadas e altamente qualificadas. Eles poderiam fornecer o arcabouço teórico para a emergência da sociedade civil e das estruturas democráticas na região e funcionar como agentes de reconciliação. Se essas possibilidades vão se concretizar é uma questão em aberto, que parece distante, futura. Mas o futuro é o lugar onde vive a esperança...".

10. Afinal de contas, qual é o nome do grupo?

Inicialmente, a mídia ocidental se referiu ao grupo extremista com a sigla EIIS (Estado Islâmico do Iraque e da Síria), traduzida para cada idioma ou mantida em inglês (ISIS). Depois, passou-se a usar a sigla EIIL (Estado Islâmico do Iraque e do Levante), porque a região historicamente conhecida como Levante abrange também o Líbano, outro país em que o grupo reivindica territórios. Em seguida, o próprio grupo passou a se denominar apenas Estado Islâmico (EI), não mais se restringindo à região do Iraque, da Síria e do Líbano e dando a entender, portanto, que as suas ambições de domínio são mais abrangentes. Finalmente, no dia 29 de junho deste ano, o líder do grupo se proclamou califa e afirmou ter restabelecido o califado, passando a adotar este termo para se referir aos territórios que o grupo foi dominando. Como a existência de fato do califado é amplamente questionada, a imprensa e os estudiosos preferem continuar a chamar o grupo de EIIL (Estado Islâmico do Iraque e do Levante) ou apenas de EI (Estado Islâmico).

http://www.aleteia.org/pt/mundo/artigo/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-os-extremistas-do-estado-islamico-5905930080223232?

Líder judeu denuncia indiferença mundial diante da perseguição dos cristãos

NOVA IORQUE, 27 Ago. 14 (ACI/EWTN Noticias) .- O líder do Congresso Internacional Judeu, Ronald S. Lauder, criticou a apatia mundial ante a perseguição dos cristãos no Oriente Médio e em outras partes do planeta, indicando que mais países deveriam atuar a respeito.

Em um editorial publicado no jornal norte-americano The New York Times, Ronald S. Lauder assinalou que “a indiferença geral ao ISIS (Estado Islâmico do Iraque e Síria), com suas execuções em massa de cristãos e sua preocupação mortal com Israel, não está somente mal, é obscena”.

“O povo judeu entende muito bem o que pode acontecer quando o mundo está calado”, disse. “Esta campanha de morte deve ser detida”.

Lauder criticou que enquanto a comunidade internacional correu para defender outras minorias da perseguição em outros conflitos, e protestou pelos ataques de Israel contra Hamas, quando a organização é conhecida por estar usando civis como escudos humanos, “o massacre bárbaro de milhares de cristãos é tomado com relativa indiferença”.

Assinalando uma série de ofensas contra “comunidades cristãs que viveram em paz por séculos” no Oriente Médio e partes da África, lamentou a falta de ação.

Lauder também assinalou que recentemente, grupos militantes na Nigéria “sequestraram e assassinaram centenas de cristãos”, e que meio milhão de “cristãos árabes foram expulsos da Síria durante os mais de três anos de guerra civil”, e enfrentaram perseguição e assassinato no Líbano, Sudão e em outras partes.

“Os historiadores logo olharão para trás neste período e se perguntarão se as pessoas tinham perdido o seu rumo”, alertou.

O líder judeu também assinalou que a organização internacional se manteve em sua maior parte quieta sobre “a onda de terror tipo Nazista que está rondando pelo Iraque”.

Adicionalmente, disse, as celebridades e figuras públicas não falaram da perseguição, e se perguntou “por que a matança dos cristãos não parece ativar as suas antenas sociais?”.

Em sua carta, Lauder elogiou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por “ordenar ataques aéreos para salvar dezenas de milhares de yazidis”, mas lamentou que não foram suficiente para fazer frente aos recursos econômicos e força militar do Estado Islâmico.

O líder judeu disse que o Estado Islâmico é “provavelmente o grupo terrorista mais rico no mundo”, e assinalou que “onde realmente se sobressai é na sua carniçaria”, onde “apontou sem piedade os xiitas, curdos e cristãos”.

“Eles realmente decapitaram crianças e puseram as suas cabeças sobre estacas”, disse, citando um relatório da CNN sobre a violência em Mosul (Iraque).

“Mais crianças estão sendo decapitadas, mães estão sendo estupradas e assassinadas e os pais estão sendo pendurados”, lamentou.

Lauder reiterou uma promessa prévia que fez em junho, de que ele “não ficaria calado diante da crescente ameaça do anti-semitismo na Europa e no Oriente Médio, não permanecerei indiferente ao sofrimento cristão”.

As pessoas boas de todos os credos, mas particularmente cristãos e judeus, continuou, “devem unir-se e deter esta repugnante onda de violência”.

Lauder destacou que as duas religiões compartilham “muito mais que a maioria das religiões”, incluindo uma Bíblia e um “núcleo moral e ético”.

“Agora, tristemente, compartilhamos uma forma de sofrimento”, acrescentou.

“Os cristãos estão morrendo por causa das suas crenças, porque estão indefesos e porque o mundo é indiferente ao seu sofrimento”.


Lauder pressionou as pessoas de todo o mundo a agir. “Não é como se fôssemos impotentes”, disse, indicando que estava escrevendo “como um cidadão do poder militar mais forte sobre a terra”, assim como “um líder judeu que se preocupa com meus irmãos e irmãs cristãs”.

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